quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

O direito de navegar na internet | Clipping 2012

O direito de navegar na internet | Clipping 2012

terça-feira, 6 de setembro de 2011

São Paulo sediará o lançamento para o Prêmio ODM Brasil na capital.

Representantes do governo estão agendados para participar do lançamento da 4ª edição do Prêmio ODM Brasil, na capital paulista, que o movimento Nós Podemos São Paulo fará na próxima quarta-feira, 14 de setembro, a ser realizado na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de SP (Fecomercio). Para participar, as instituições, organizações não governamentais e prefeituras, que prestam serviço em prol das causas sociais, têm até o dia 31 de outubro para se inscrever. O evento é gratuito!
O prazo para atingir os 8 Objetivos do Milênio (ODM) estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2000, está chegando. Até 2015, 191 nações, em busca de soluções para um desenvolvimento sustentável, pela erradicação da miséria, pela igualdade, entre outros programas, têm como meta monitorar e dar ênfase ao aprimoramento das políticas públicas de cada região.
E para melhor avaliar o desempenho da agenda social brasileira, o governo federal criou, em 2004, o Prêmio ODM Brasil. Através do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, conhecido como Nós Podemos, incentiva as importantes e criativas ações da sociedade civil e de governos municipais, representados em projetos que ajudam o País a atingir os ODM.
Cada Estado criou o seu núcleo, o qual também promove o lançamento da premiação, que acontecerá em 2012, em Brasília. Como cumprimento da agenda do governo federal, o Nós Podemos São Paulo, através dos indicadores elaborados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vem fomentando junto aos municípios um conjunto de ações, como em outros Estados, a ajudar o Brasil a cumprir o compromisso do milênio.
Conheça os 8 Objetivos do Milênio:
1) Acabar com a fome e a miséria;
2) Educação básica de qualidade para todos;
3) Igualdade entre sexos e valorização da mulher;
4) Reduzir a mortalidade infantil;
5) Melhorar a saúde das gestantes;
6) Combater a AIDS, a malária e outras doenças;
7) Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente;
8) Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento.
Participe!!
Acesse nossas redes sociais:
Facebook: Nós Podemos São Paulo
Twitter: @odmsp
Blog: http://odmsp.blogspot.com
Serviço:
Data: 14/09/2011
Horário: 9h às 13h
Local: Auditório Fecomercio – Rua Dom Plínio Barreto, 285 – Bela Vista/SP
Inscrições até 31/10/2011
Para entrevistas, inscrições ou mais informações, ligue para:
11 2111.7372 (Mariana Veltri)
11 2111.7303 (Elaine Carvalho)
Email: nospodemos.sp@gmail.com

terça-feira, 29 de março de 2011

Tocqueville e o Afeto

O texto apresentado abaixo é resumo de algumas idéias de Alexis de Tocqueville relativas à presença do afeto na dimensão política. É uma das atividades da disciplina "A Afetividade e sua Dimensão Ético, Estético e Política", ministrada pela Prof. Bader Sawaia e foi desenvolvido conjuntamente com Camila Miyagui. As idéias estão apenas registradas e não dispostas de uma forma mais coerente e teve o fim de registrar nossas principais conclusões de forma escrita.

Autores: Camila Miyagui e Carlos Alberto Lopes

1 - Contexto



Alexis de Tocqueville (1805-1859) foi um político e jurista Frances que em 1832 empreendeu uma viagem de 9 meses aos Estados Unidos, na ocasião uma jovem nação do novo continente.


Sua viagem foi financiada por sua família, uma vez que sua solicitação de financiamento ao governo Frances foi negada. Seu objetivo inicial (ou formal) era conhecer o sistema prisional americano. Se o relatório de sua visita no que concerne ao sistema prisional foi produzido, até o momento não chegou ao nosso conhecimento, no entanto, dessa viagem surgiu o hoje já clássico Democracia na América.


Considero que para uma compreensão adequada de seu pensamento, é preciso sempre ter sempre em mente que escreveu para o público de seu país, na ocasião uma nação com as cicatrizes ainda visíveis da violenta revolução que teve sua data marcante em 1789 e que foi marcada pelo uso do terror como estratégia de sucesso. Se a partir dessa revolução a aristocracia perdeu seu poder político, a cultura aristocrática continuou presente nas mentes e corações ainda por muito tempo (é bem provável que ainda hoje encontramos ecos dessa cultura nesses povos, principalmente na França). É para as pessoas mergulhadas nesta cultura que Tocqueville escreveu, daí sua necessidade presente em todo livro de apontar uma miríade de aspectos da vida política e social dos habitantes dos Estados Unidos sempre comparado ao modo de vida dos “povos aristocráticas” (como denomina diversas vezes)

 
Somente uma análise mais acurada do pensamento de Tocqueville poderia revelar como poderíamos classificar o seu pensamento a partir de nossa perspectiva no século XXI, tarefa essa muito aquém do que é possível e pretendido neste brevíssimo texto. Nossa percepção, de um modo geral, aponta um autor que tendia para o liberalismo em termos de pensamento político (independência do cidadão em relação ao estado), e pendendo entre o conservadorismo e a inovação em termos sociais.

 
Citações relativas à Liberalismo e Conservadorismo:


- “Não me perguntem que singular encanto encontram os homens da épocas democráticas em viver iguais, nem as razões particulares que podem ter para apegar-se tão obstinadamente à igualdade mais que aos outros bens que a sociedade lhe oferece... “(TOCQUEVILLE, 1997, p. 384)


- “Que a liberdade política pode, nos seus excessos, comprometer a tranqüilidade e o patrimônio, as vidas dos particulares, não se hão de encontrar homens tão limitados e tão levianos que não o descubram”


- “Eu, por mim, digo que, para combater os males que a igualdade pode produzir, só existe um remédio eficiente: é a liberdade política” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 391)


- “Respeito-os muito para acreditar neles” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 403) (ao se referir ás pessoas que afirmavam esquecer-se de si mesmas ao trabalhar para outros para alcançar “os bens do doutro mundo”)



Seu pensamento esta presente em nossos dias e influencia muitos pensadores. Particularmente nos Estados Unidos, existe uma corrente de pensamento denominada de “comunitaristas” que prega ou busca uma forma de vida conforme relatada por Tocqueville em sua obra. Robert Putnam, numa ironia fina, afirma que Tocquevile é “o santo padroeiro do comunitaristas americanos” (PUTNAM, 2000, p. 24)


2 - Os Afetos



2.1 - Igualdade


Destaca o sentimento de igualdade presente entre os americanos.


Igualdade aqui significa “igualdade de oportunidade”. Todos tem as mesmas oportunidades e os indivíduos se diferenciam pela forma como aproveitam (ou deixam de aproveitar) as oportunidades à sua disposição.


Assim, um homem pode ser rico ou pobre de acordo com seu esforço ou sua capacidade de aproveitar as oportunidades que aparecem em seu caminho.


Igualdade também é vista em oposição ao sentimento presente na cultura aristocrática, onde claramente existia uma linha de subordinação do rei ao camponês. Nesse sentido, um homem sempre teria superiores e inferiores.


- “o fato particular e dominante que singulariza estes séculos é a igualdade de condições; a paixão principal que agita os homens em tais ocasiões é o amor por essa igualdade” ((TOCQUEVILLE, 1997, p. 384)



2.2 - Individualismo


Para Tocqueville esse sentimento é decorrente do sentimento de igualdade. Se todos são iguais nas oportunidade e nas opiniões (“luzes“ como denomina), se não existe uma linha de subordinação na sociedade, cada um se sente tão potente como os demais, gerando o sentimento de bastar-se a si próprio. Isso leva as pessoas a se voltar para os interesses pessoais e buscar aí a sua satisfação.


- “tem as suas fontes nos defeitos do espírito, tanto quanto nos vícios do coração” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 386)


- “[...] é de origem democrática e ameaça desenvolver-se à medida que se igualam as condições” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 386)






2.3 - Egoísmo


Este sentimento alimenta o sentimento de individualismo. Já que todos são iguais, que cada um cuide de si e de sua família. “É um amor apaixonado e por si mesmo, que leva o homem a nada relacionar senão a ele apenas e a preferir-se a tudo” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 386)






2.4 - Liberdade


O sentimento de liberdade e igualdade estão associados (“[...] igualdade dentro da liberdade [...]”). Liberdade parecer ter um sentido absoluto, pois se todos são iguais, ninguém é livre o suficiente para fazer o que quiser. A igualdade impõe esses limites.


Assim, a liberdade que se tem e que é admitida no outro “levam grande número de cidadãos a prezar a afeição de seus vizinhos e de seu próximo..... e os forçam a ajudar-se mutuamente) (TOCQUEVILLE, 1997, p. 390)






2.5 - Associação


De um modo geral, a capacidade de associar com outros é tratada como uma característica marcante da sociedade americana. Neste contexto, associativismo pode ser entendido como um sentimento gerado a partir da percepção de fragilidade individual perante os problemas que precisam ser enfrentados. Se todos são iguais, ninguém, potencialmente, pode pretender mais poder ou conhecimento que outro. Assim, visto que muitos problemas são muito maiores que a capacidade individual de resolve-los, a única alternativa é recorrer ao poder coletivo, conseguido no ato de associação com os demais na busca de objetivos comuns (não importa nesses caso o tipo de objetivo, se particular, público ou coletivo, para o bem o para o mal não importando o entendimento desses termos, se pequeno ou grande, se é uma questão cotidiana ou elevada)


- “A partir do momento em que se tratam em comum os assuntos comuns, cada homem percebe que não é tão independente dos seus semelhantes quanto imaginava no princípio e, para obter o seu apoio, muitas vezes é necessário emprestar-lhe o seu concurso”. (TOCQUEVILLE, 1997, p. 387)


- “Em toda parte onde, à frente de uma empresa nova, vemos na França o governo e na Inglaterra um grande senhor, tenhamos certeza de perceber, nos Estados Unidos, uma associação”. (TOCQUEVILLE, 1997, p. 392)






3 - Síntese dos Principais Pontos do Texto


Os povos democráticos amam a liberdade. Como desejo das sociedades democráticas, a liberdade passa a ser almejada na medida em que as condições começaram a se igualar. A igualdade precede a liberdade.


• Igualdade faz parte dos hábitos


• Liberdade faz parte dos planos das ideias e dos gostos.


Os povos democráticos têm gosto natural pela liberdade e paixão pela igualdade.






Do individualismo nos países democráticos. (Diferença entre o egoísmo e o individualismo)


• O egoísmo é o amor apaixonado por si mesmo.


• O individualismo já é algo refletido, que fez com que o homem abandone a sociedade, à coletividade. É de origem democrática e se desenvolve quando se igualam as condições. Ao igualarem as condições, os indivíduos sentem-se responsáveis pelos seus destinos.


Como o individualismo é maior ao fim de uma revolução democrática do que em outra época.


• A sociedade democrática acaba formando homens egoístas e isolados uns dos outros. A democracia leva os homens a se aproximarem de seus semelhantes.


Como os americanos combatem o individualismo por meio de instituições livres.


• Igualdade põe os homens como semelhantes, sem fortalecerem os laços. O despotismo fortalece a indiferença entre eles, uma espécie de virtude pública. Ex. necessidade de liberdade – não é tão independente de seus semelhantes, como achava. Por meio da liberdade, os americanos foram capazes de combater o individualismo que a igualdade fazia nascer. Criaram uma vida política a cada território e a representação de que um dependia do outro para os negócios. Percebe-se uma relação entre a questão pública e os negócios privados – particular/geral. Ex. liberdades locais – ricos democráticos têm necessidades dos pobres.


• Estão buscando meio para aumentar a riqueza e satisfazer as necessidades do público – propriedade do povo. O espírito de que vive em sociedade é recordado a partir de instituições livres e dos direitos políticos. O dever e os interesses dos homens é tornarem-se úteis aos seus semelhantes.






Do uso que fazem os americanos da associação na vida civil


• As associações comerciais, industriais e políticas – poderosos meios de ações, meios de agir. Há uma relação entre as associações e a igualdade? Isso implica ressaltar as diferenças entre a sociedade aristocrática e a sociedade democrática.


• Critica ao governo, que somente dita às regras e impõe os sentimentos e as ideias que lhe favorece. Já as associações são capazes de que os indivíduos tenham uma ação recíproca uns com os outros. “a ciência da associação é a ciência mãe”. (pg.394).


Relações entre as associações civis e as associações políticas


• Há uma relação entre associação política e civil? A associação política e desenvolve e aperfeiçoa a associação civil. A política generaliza o gosto e o habito de uma associação. Ela faz nascer outras grandes associações.


• Cidadãos frágeis não podem imaginar uma ideia da força que podem adquirir unindo-se. É no seio das associações políticas que os americanos tomam gostos pela associação.


• Do ponto de vista de uma nação, as associações políticas perturbam o Estado e a paralisam as indústrias. Do ponto de vista de um povo, a liberdade de associação política é favorável ao bem-estar e à tranqüilidade.






4 – Síntese sobre os afetos para Tocqueville


De um modo geral, parece que Tocquevile reserva aos afetos um papel importante no que tange à igualdade, liberdade, individualismo e no associativismo, no entanto, parece que reveste estes afetos de um caráter racional, raciocinado e intencional.


Tal impressão torna-se mais evidente quando se refere à “doutrina do interesse bem compreendido” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 300-404). Dessa forma, um indivíduo não atua junto aos outros por amor e dedicação ao próximo, mas a partir de um cálculo racional de que, dadas as condições de igualdade e liberdade, necessita do outro.


- “Não creio ..... que haja mais egoísmo entre nós do que na América; a única diferença é que lá o egoísmo é esclarecido, e aqui de modo algum o é” (TOCQUEVILLE, 1997, p. 402)





sábado, 12 de fevereiro de 2011

Rede do Desenvolvimento Local: Uma contribuição para dinamizar as forças da sociedade local - Autora: Lourdes Alves de Souza

Reproduzo no link indicado abaixo, texto da amiga Lourdes Alves de Souza, com a qual tenho a honra de poder trabalhar ha quase 15 anos e com quem tenho aprendido muito na convivência diária nos ambientes organizacionais e comunitários.

Trata-se de texto produzido como conclusão da sua Pós-Graduação em Especialização em Gestão do Desenvolvimento Local no Centro Internacional de Formação da OIT – Organização Internacional do Trabalho.

O texto, muito mais do que registrar uma das produções intelectuais da autora, reflete sua atuação prática no Municipio de Monteiro Lobato (São Paulo - Brasil), além de mostrar sua fé inabalável - com a permissão de usar esse termo num texto de caráter científico - na capacidade humana em mudar o seu destino, especialmente no nível local, a partir participação e conexão em redes sociais.

Além de apresentar o cenário sócio-político do qual faz parte o municipio de Monteiro Lobato, Lourdes apresenta o diagnóstico elaborado em conjunto com a comunidade do municipio, tendo por base os eixos temáticos propostos pelo Instituto de Cidadania no Plano Nacional de Apoio ao desenvolvimento Local, sendo eles:
  • Articulação e Mobilização
  • Educação e Capacitação
  • Trabalho, Emprego e Renda
  • Tecnologia, Informação e Comunicação
  • Financiamento e Comercialização
  • Desenvolvimento Institucional
  • Sustentabilidade Ambiental

Aqueles que quiserem ter acesso ao texto completo, podem faze-lo em: Rede de Desenvolvimento Local

Os que que quiserem contatar a autora, podem faze-lo pelo e-mail: bomdialogo@yahoo.com.br
Tendo em vista a extensão territorial e a diversidade regional do país, pensar o desenvolvimento, a partir da localidade, dos recursos endógenos, baseados nas parcerias intersetoriais e sustentados por princípios de horizontalidade, democracia, transparência, cooperação e trabalho conjunto, produz um processo inovador e de múltiplas aprendizagens, capaz de estabelecer uma estrutura de organização social, centrada nos princípios de justiça e de inclusão.


O povo brasileiro é reconhecido por sua atitude solidária, descontração, criatividade e força de trabalho, elementos valiosos para construir o capital social e criar redes de solidariedade que incentivem parcerias compostas por todos os setores da sociedade.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Máximo 2 Mandatos?

Reproduzo abaixo mensagem recebida do Chico Whitaker (e do Grupo de Trabalho Máximo 2 Mandatos). Esta em debate esse tema e o grupo quer ouvir a opinião de todos os que tem algo a dizer, contra ou a favor e como. Quem quiser se manifestar, coforme abaixo, deve encaminhar mensagem para  maximo2mandatos@uol.com.br.

"Sondagem de opinião – a difundir


Representação política: função ou profissão? A transformação da representação em profissão é comum no Brasil. Será que ela pode ser considerada uma distorção da democracia representativa? Será que ela é uma das causas da baixa credibilidade dos nossos parlamentos - Senado, Câmara de Deputados, Assembléias Legislativas e Câmaras de Vereadores? Será que cabe limitar o número de mandatos exercidos sucessivamente? Só no Poder Legislativo? Em cada um dos níveis desse Poder (Municipal, Estadual, Federal)?

Esta sondagem (questões abaixo) pretende verificar o que se pensa sobre isso, e identificar argumentos a favor ou contra a limitação do número de mandatos sucessivos.


Veja no blog maximo2mandatos.wordpress.com o que o grupo de pessoas que lança esta sondagem já discutiu.


Se você acha que vale a pena analisar estas questões, pedimos que:


1. Dê a sua opinião, dizendo-nos se é:


- a favor da limitação do número de mandatos sucessivos;

- a favor da limitação do número de mandatos sucessivos, com ressalvas, conforme o caso;

- contra a limitação do número de mandatos sucessivos;



2. Divulgue nas suas redes de relações esta mensagem, para que ela atinja o máximo possível de pessoas;

 
3. Se tiver tempo, apresente argumentos favoráveis ou contrários a essa limitação e/ou que tipo de limitação deveria ser criada. Seu texto será colocado no blog.


Envie-nos sua resposta para: maximo2mandatos@uol.com.br


Os resultados desta sondagem poderão levar a iniciativas concretas a respeito.


Você será bem-vindo(a) se quiser participar de nosso Grupo. Indique-nos como contatá-lo(a).


Grupo de Trabalho máximo2mandatos


São Paulo, 9 de dezembro de 2010"

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Uma estratégia contra o clientelismo

Não é de hoje que aponto (e repercutindo outros) o clientelismo como um dos principais aspectos culturais que dificultam o fomento de redes sociais e o conseqüente incremento em nossos estoques de capital social.

Meu objetivo neste post é apresentar um estratégia contra o clientelismo, ajudando assim a disseminar essa informação e esperando que ela possa ser útil para outras pessoas e agentes sociais engajados no desenvolvimento comunitário.
 O clientelismo significa aquele tipo de agenciamento onde um ator social usa as relações que mantêm com outras pessoas como se essas fossem seus clientes e onde busca conseguir para esse cliente produtos e serviços.
 Se estivéssemos aludindo a uma relação comercial, nada haveria de errado no termo, pois aquele que é cliente de alguém, compra ou adquire deste alguns serviços. É o caso, exemplificando, do corretor de seguros que tem seus clientes e busca no mercado as melhores opções em termos de seguros. Mas, ao falar do clientelismo, não estou me referindo à relações comerciais, e sim à relações sociais e principalmente políticas.

Nesse âmbito a relação clientelista se caracteriza pela intervenção de alguém junto a terceiros para que se consiga um produto e serviço. Em nosso meio, esses produtos e serviços normalmente estão associados a serviços públicos, não sendo exclusivos dessa esfera.

Assim, como exemplos, é o vereador que intervêm junto ao poder publico para que um cidadão consiga um atendimento mais rápido num serviço de saúde, para que a prefeitura envie uma cesta básica para alguém, providencie um local para um funeral e etc.

Infelizmente, não é só o vereador ou os agentes públicos que atuam dessa forma. Em meu trabalho diário no contato com comunidades, vejo que agentes privados também atuam de forma a reforçar o clientelismo. É o caso de alguns (senão muitos) líderes comunitários, normalmente dirigentes de associações de bairros que servem como intermediários junto ao poder público para que, por exemplo, se asfalte uma rua, se ajude numa festa comunitária, providencie um transporte, etc. Não é para se estranhar, pois estamos falando de um fator cultural e não apenas de um vício de servidores públicos.

Esta prática nefasta cria uma reciprocidade negativa, onde o tomador do favor (o cliente), sempre fica devendo para aquele que lhe fez o favor. Assim, esse “favorecedor”, um dia vai cobrar e geralmente manda essa conta num período eleitoral, solicitando votos para políticos que conseguiram os favores que ele solicitou.

Se, por um lado essa prática aumenta o poder daqueles que prestaram favor, por outro lado, enfraquece e subordina o favorecido (o cliente). E pior ainda, tal prática apresenta o efeito de minar a proatividade de uma comunidade na medida em que desestimula a conexão entre as pessoas. Em outras palavras, é uma atitude que transmite a seguinte mensagem para os membros de uma comunidade: “Não se preocupem que eu vou conseguir junto a fulano o que vocês querem ou precisam, assim vocês não precisam se desgastar em fazer abaixo assinados ou reivindicações. Eu sou generoso com vocês e só quero o melhor pra vocês”.

Que comunidade vai se desenvolver sob esta égide? Que necessidade existe em se fazer esforços se tudo pode ser conseguido de forma mais fácil, porem nem sempre de uma forma honesta e com altos custos futuros?

Não se trata de algo fácil de erradicar, pois é algo fartamente difundido na cultura da nossa sociedade. Entretanto, não é impossível de se combater e apresento na seqüência um exemplo de como isso pode ser feito (claro que estou falando de um exemplo e não de um modelo)

A Claudia Venério e a Liliam Cristina de Souza, que atuam fomentado redes sociais e processos de desenvolvimento local em Presidente Prudente (SP), me contaram a forma engenhosas como estão atuando nessa frente.

No processo de mediar as relações junto a governança local do bairro Morada do Sol, em Presidente Prudente, estabeleceram duas práticas muito simples.

Deliberadamente, na medida em que o grupo comunitário ia se apercebendo de necessidades de intervenção do poder público junto a algum aspecto da infra-estrutura ou da vida comunitária, ao invés de confiarem a alguém que levasse ao agente público a solicitação passaram a solicitar e envidar esforços no sentido de levar os agentes públicos a ter contato direto com a comunidade. Assim, por exemplo, caso a necessidade fosse no sentido da reforma da praça do bairro, convidavam o secretário de obras (ou algo semelhante) a comparecer em uma reunião da comunidade para ouvir as necessidades.

Com essa estratégia, que num primeiro momento poderia passar por simples atitude reivindicatória, eliminava-se o papel do intermediário, quer este fosse o presidente da associação de bairros ou o vereador ligado ao bairro.

O caráter educativo dessa estratégia simples é altamente simbólico na quebra do clientelismo. A comunidade passa a perceber que ela não precisa de intermediários para acessar os agentes públicos e, portanto, não se obriga a pagar altos “juros políticos” no futuro. O resultado é uma comunidade mais fortalecida e menos dependente.

Essa prática é tão eficiente e foge tanto do comportamento rotineiro, que o próprio agente público, não identificando um intermediário, estranha e exterioriza sua perplexidade. Esse agente público, que também acabava por ser um “cliente” do intermediário, ganha maior liberdade e pode exercer de forma mais plena seu mandato (ou cargo). A liberdade, portanto, se faz sentir tanto pelo lado da comunidade como pelo lado do agente público e quem sai certamente fortalecido é a democracia.

E vai mais longe essa estratégia, com uma outra ferramenta muito simples: ao solicitar a presença de um agente público para ouvir a comunidade, todos assinam uma espécie de petição que será entregue. Tal documento, tanto pode ser digitado e impresso, como pode ser uma única folha manuscrita contendo a solicitação da audiência e a assinatura de todos que estavam presentes.

Considero deveras simbólico o fato de só assinar que estava presente. Isso sinaliza que aqueles reunidos consideram-se suficientemente emponderados para assumir seu ato. Isso, no entanto, gera desconforto no presidente da associação do bairro, pois “ele não assinou o documento”. E não precisa assinar, pois ele ou ela não estava presente e a comunidade não precisa (e não deveria mesmo precisar) de intermediários. O desconforto, certamente alude a uma perda de poder de controle por parte do dirigente da associação.

Bem, o exemplo é simples, mas, repito, altamente simbólico. Não importa se a solicitação é para a simples pintura de sarjetas ou para a construção de uma creche pública. O exemplo mostra como o comportamento político clientelista pode ser minimamente superado e pode se tornar uma prática, aliado a outras e dentro de um processo contínuo e ampliado, de superação da cultura do clientelismo.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Pós-doutorado no Centro de Estudos da Metrópole

O Centro de Estudos da Metrópole (CEM), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da FAPESP, abriu processo seletivo para candidatos que desejem realizar o pós-doutoramento no centro. O prazo para o envio das propostas termina no dia 15 de janeiro.
O processo seletivo priorizará recém-doutores, que receberão bolsas da FAPESP e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
Entre os critérios analisados, o CEM avaliará o perfil e a trajetória do candidato e a qualidade científica da proposta apresentada, tendo em vista sua articulação às linhas de pesquisa do Centro, que desenvolve estudos avançados sobre temas relacionados às metrópoles contemporâneas sob um novo modelo de organização, com um trabalho de equipes multidisciplinares.
As três linhas principais de investigação são “Mercado, trabalho e oportunidades”, “Condições de vida, Estado e políticas públicas” e “Sociabilidade e vida urbana”.
A seleção será feita em duas etapas. Na primeira, serão analisados o curriculum vitae e o seu projeto de pesquisa. Os candidatos pré-classificados nesta fase – cujo resultado será divulgado até 31 de janeiro – serão convocados para uma entrevista com a comissão de seleção.
Serão selecionados até três candidatos. As propostas podem ser enviadas para o e-mail posdoc.2011@cmetropole.org.br ou pelo correio para a rua Morgado de Mateus 615, Vila Mariana, São Paulo, CEP 04015-902, aos cuidados de Mariza Nunes.


Mais informações: www.centrodametropole.org.br

Fonte: Agencia Fapesp